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sexta-feira, abril 5

Significados em arquitetura 


A essência do significado da arquitetura em nossos dias .
Qual é a expectativa de um projeto?
Do arquiteto , a alegria/necessidade de trabalhar 
Dos outros profissionais, idem
Do cliente , a alegria/necessidade de construir
Da cidade ,a intervenção moldada ,funcionalmente e esteticamente.
Dos órgãos públicos, o cumprimento de normas e leis.
Das autarquias ,uma garantia para a sociedade.
Quais os signos de um projeto ?
Envolve o caráter da edificação , sua vocação enquanto prédio, seu contexto sociocultural,o repertório de arquiteto x cliente  , não necessariamente nessa ordem em alguns casos, mas antes de tudo percebe-se a intenção , a força transformadora que os agentes sociais tem de transformação contínua , revelando aspectos culturais , estéticos, éticos ,tecnológicos e ambientais.
Lembrando a velha tríade de Vitruvius , Venustas(forma) , Utilitas(função) e Firmitas ( solidez) , a inserção do local , e aí , com suas demandas regionais, ambientais,econômicas e  culturais , transforma os três apoios conceituais clássicos em quatro , esse último derivado diretamente da história recente da sociedade e da arquitetura em si.
Já é mister afirmar que o desgaste do modernismo internacionalista foi um dos pilares ideológicos e de mercado que provocaram a decadência do modernismo a partir dos 60 do século passado , onde as lições dos grandes mestres dos anos 30 haviam sido abandonadas. Isso poluiu o repertório de signos na arquitetura , trazendo de volta ícones obsoletos , mas vistos por uma nova classe dominante como símbolo de poder, econômico, social ou político, com uma clara tendência internacionalista , apesar de um pseudo regionalismo defendido por alguns.
Observando a nova arquitetura brasileira , percebe-se algumas características:
1)     A mediocridade arquitetônica das grandes incorporações ,
2)     A falta de renovação de ideias do “ neo-minimalismo “( oh, redescobri De Rohe !)
3)     E finalmente os grandes programas habitacionais .
E o panorama é triste , para não dizer outra coisa. Cidades impermeáveis, sem mobilidade urbana, apesar do avanço legal nessa área , e pouquíssimas inovações tecnológicas verdadeiras na área da arquitetura e do urbanismo. Existem exceções , é lógico.
     O fato é que a internacionalização dos signos continua e não trazem novos   significados para a arquitetura e sim adequações funcionais , tipo Hotel-Butique , Museu-digital , Arena Multiuso , etc. É muito pouco. Onde está o uso da curva na produção atual ? Rara . Até por questões econômicas, a reta é muito mais barata. Gostaria de iniciar dessa forma essa discussão .ATT. Arquiteto Cesar Jacobina Esteves



quarta-feira, novembro 9



Tópicos Especiais I-
12ªaula - Arquitetura Neoclássica
Nas duas últimas décadas do século XVIII e nas três primeiras do século XIX, uma nova tendência estética predominou nas criações dos artistas europeus. Trata-se do Neoclassicismo (neo = novo), que expressou os valores próprios de uma nova e fortalecida burguesia, que assumiu a direção da Sociedade européia após a Revolução Francesa e principalmente com o Império de Napoleão.Principais características:* retorno ao passado, pela imitação dos modelos antigos greco-latinos;* academicismo nos temas e nas técnicas, isto é, sujeição aos modelos e às regras ensinadas nas escolas ou academias de belas-artes;* arte entendida como imitação da natureza, num verdadeiro culto à teoria de Aristóteles.
Tanto nas construções civis quanto nas religiosas, a arquitetura neoclássica seguiu o modelo dos templos greco-romanos ou o das edificações do Renascimento italiano. Exemplos dessa arquitetura são a igreja de Santa Genoveva, transformada depois no Panteão Nacional, em Paris, e a Porta do Brandemburgo, em Berlim.
A pintura desse período foi inspirada principalmente na escultura clássica grega e na pintura renascentista italiana, sobretudo em Rafael, mestre inegável do equilíbrio da composição.Características da pintura:* Formalismo na composição, refletindo racionalismo dominante.* Exatidão nos contornos* Harmonia do colorido.



Tópicos Especiais I
11ª aula - O Barroco Brasileiro
O estilo barroco desenvolveu-se plenamente no Brasil durante o século XVIII, perdurando ainda no início do século XIX. O barroco brasileiro é claramente associado à religião católica. Duas linhas diferentes caracterizam o estilo barroco brasileiro. Nas regiões enriquecidas pelo comércio de açúcar e pela mineração, encontramos igrejas com trabalhos em relevos feitos em madeira - as talhas - recobertas por finas camadas de ouro, com janelas, cornijas e portas decoradas com detalhados trabalhos de escultura. Já nas regiões onde não existia nem açúcar nem ouro, as igrejas apresentam talhas modestas e os trabalhos foram realizados por artistas menos experientes e famosos do que os que viviam nas regiões mais ricas.
O ponto culminante da integração entre arquitetura, escultura, talha e pintura aparece em Minas Gerais, sem dúvida a partir dos trabalhos de:
Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho - seu projeto para a igreja de São Francisco, em Ouro Preto, por exemplo, bem como a sua realização, expressam uma obra de arte plena e perfeita. Desde a portada, com um belíssimo trabalho de medalhões, anjos e fitas esculpidos em pedra-sabão, o visitante já tem certeza de que está diante de um artista completo. Além de extraordinário arquiteto e decorador de igrejas foi também incomparável escultor. O Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas do Campo, é constituído por uma igreja em cujo adro estão as esculturas em pedra-sabão de doze profetas, cada um desses personagens numa posição diferente e executa gestos que se coordenam. Com isso, ele conseguiu um resultado muito interessante, pois torna muito forte para o observador a sugestão de que as figuras de pedra estão se movimentando.
Características da escultura de Aleijadinho:
* Olhos espaçados * Nariz reto e alongado * Lábios entreabertos * Queixo pontiagudo
* Pescoço alongado em forma de V
Manuel da Costa Ataíde - suas pinturas em tetos das igrejas seguiam as características do estilo barroco, e aliavam-se perfeitamente às esculturas e arquitetura de Aleijadinho. Obra Destacada: Pintura do Teto da Igreja de São Francisco de Assis.
O Mestre Ataíde pintou várias igrejas de Minas Gerais com um estilo próprio e bem brasileiro. Usava cores vivas e alegres e gostava muito do azul. Ataíde utilizava tanto a tinta a óleo (que era importada da Europa) como a têmpera. Os pintores da época nem sempre podiam importar suas tintas. Faziam então suas próprias cores com pigmentos e solventes naturais aqui da terra. Entre outros, usavam terra queimada, leite e óleo de baleia, clara de ovo, além de extratos de plantas e flores. E é claro criavam suas próprias receitas que eram mantidas em segredo. Talvez por isso é que se diz que não existe, no mundo inteiro, um colorido como o das cidades mineiras da época do barroco.

terça-feira, novembro 8

Igreja de Il Gesú - Vignola y Giacomo della PortaRoma - século XVI

Tópicos Especiais I
10ª aula - Arquitetura Barroca
Barroco (palavra cujo significado tanto pode ser pérola irregular quanto mau gosto) é o período da arte que vai de 1600 a 1780 e se caracteriza pela monumentalidade das dimensões, opulência das formas e excesso de ornamentação. É o estilo da grandiloquência e do exagero. Essas carecterísticas todas podem ser explicadas pelo fato de o barroco ter sido um tipo de expressão de cunho propagandista.
O absolutismo monárquico e a Igreja da Contra-Reforma utilizaram o barroco como manifestação de grandeza. Nascido em Roma a partir das formas do cinquecento renascentista, logo se diversificou em vários estilos paralelos, à medida que cada país europeu o adotava e o adaptava à sua própria idiossincrasia. Nações protestantes como a Inglaterra, por exemplo, criaram uma versão mais moderada do estilo, com edifícios de fachadas bem menos carregadas que as italianas.
Um dos traços fundamentais desse vasto período é que durante seu apogeu as artes plásticas conseguiram uma integração total. A arquitetura, monumental, com exuberantes fachadas de mármore e ornatos de gesso, ou as obras de Borromini, caracterizadas pela projeção tridimensional de planos côncavos e convexos, serviram de palco ideal para as pinturas apoteóticas das abóbadas e as dramáticas esculturas de mármore branco que decoravam os interiores.
Na arquitetura barroca, os conceitos de volume e simetria vigentes no renascimento são substituídos pelo dinamismo e pela teatralidade. O produto desse novo modo de desenhar os espaços é uma edificação de proporções ciclópicas, em que mais do que a exatidão da geometria prevalece a superposição de planos e volumes, um recurso que tende a produzir diferentes efeitos visuais, tanto nas fachadas quanto no desenho dos interiores.
Quanto à arquitetura sacra, as proporções antropomórficas das colunas renascentistas foram duplicadas, para poder percorrer sem interrupções as novas fachadas de pavimento duplo, segundo o modelo da construção de Il Gesú, em Roma, primeira igreja da Contra-Reforma.

A partir de 1630, começam a proliferar as plantas elípticas e ovaladas de dimensões menores. Isso logo se transformaria numa das características arquitetônicas típicas do barroco. São as igrejas de Maderno e Borromini, nas quais as formas arredondadas substituíram as angulosas e as paredes parecem se curvar de dentro para fora e vice-versa, numa sucessão côncava e convexa, dotando o conjunto de um forte dinamismo.
Quanto à arquitetura palaciana, o palácio barroco era construído em três pavimentos. Em vez de se concentrarem num só bloco cúbico, como os renascentistas, parecem estender-se sem limites sobre a paisagem, em várias alas, numa repetição interminável de colunas e janelas. A edificação mais representativa dessa época é o Palácio de Versalhes, manifestação messiânica das ambições absolutistas de Luís XIV, o Rei Sol, que pretendia, com essa obra, reunir ao seu redor - para desse modo debilitá-los - todos os nobres poderosos das cortes de seus país. Seguindo o exemplo do Palácio de Versalhes, são construídas nas diversas cortes europérias palácios faustosos, cercados de jardins imensos, aproximando-se do que logo viria a ser o neoclassicismo
O Escorial, fusão de estilos e arquitetos, é de uma monumentalidade até então sem precedentes na Europa. Na Itália, ao combinar essas proporções com uma profusa ornamentação maneirista, seus artistas definiram o nascimento da arquitetura barroca.

sexta-feira, novembro 4



Tópicos Especiais I
9ª aula - A colonização portuguesa no Brasil
A chegada dos portugueses
A expressão " descobrimento " do Brasil está carregada de eurocentrismo, além de desconsiderar a existência dos índios em nosso país antes da chegada dos portugueses. Portanto, optamos pelo termo "chegada" dos portugueses ao Brasil. Esta ocorreu em 22 de abril de 1500, data que inaugura a fase pré-colonial.Neste período não houve a colonização do Brasil, pois os portugueses não se fixaram na terra. Após os primeiros contatos com os indígenas, muito bem relatados na carta de Caminha, os portugueses começaram a explorar o pau-brasil da mata Atlântica.O pau-brasil tinha um grande valor no mercado europeu, pois sua seiva, de cor avermelhada, era muito utilizada para tingir tecidos. Para executar esta exploração, os portugueses utilizaram o escambo, ou seja, deram espelhos, apitos, chocalhos e outras bugigangas aos nativos em troca do trabalho (corte do pau-brasil e carregamento até as caravelas).Nestes trinta anos, o Brasil foi atacado pelos holandeses, ingleses e franceses que tinham ficado de fora do Tratado de Tordesilhas (acordo entre Portugal e Espanha que dividiu as terras recém descobertas em 1494). Os corsários ou piratas também saqueavam e contrabandeavam o pau-brasil, provocando pavor no rei de Portugal. O medo da coroa portuguesa era perder o território brasileiro para um outro país. Para tentar evitar estes ataques, Portugal organizou e enviou ao Brasil as Expedições Guarda-Costas, porém com poucos resultados além da construção de fortes para a proteção da costa. Os portugueses continuaram a exploração da madeira, construindo as feitorias no litoral que nada mais eram do que armazéns e postos de trocas com os indígenas.No ano de 1530, o rei de Portugal organiza a primeira expedição com objetivos de colonização. Esta foi comandada por Martin Afonso de Souza e tinha como objetivos : povoar o território brasileiro, expulsar os invasores e iniciar o cultivo de cana-de-açúcar no Brasil.
O cultivo da cana de açúcar
Com o início da exploração da cana de açúcar no Brasil e o uso de mão de obra escrava , surge a primeira configuração arquitetônica de natureza rural no Brasil Colônia : a casa grande e a senzala . Casa-grande, em seu aspecto material, com características – desde seus começos –, ecologicamente euro-tropicais que, a esses aspectos materiais vem juntando funções mistas, materiais e trans-materiais, como a aculturativa, a educativa, a militar, a de quase fortaleza, a religiosa, a econômica – a de bando, principalmente –, a assistencial e, quando completada por senzala e por capela, reforçada em algumas dessas suas funções, pela simbioticamente [função] social de servir de abrigo a duas etnias e suas respectivas culturas, uma das quais, principalmente civilizadora, e a outra, principalmente primitiva, com os dois extremos passando a desempenhos de reciprocidade – tanto étnica, como cultural –, realizados dentro do próprio conjunto ou complexo arquitetônico; como em sistemas sociológicos, uma reciprocidade entre elementos mais dominadores e elementos mais dominados, embora tal relacionamento, nem sempre, podendo ser considerado absoluto, mas com freqüentes tendências a relativo. Portanto, a reciprocidade. Foi ao que atendeu o complexo arquitetônico casa-grande e senzala: ao fato de o Brasil ter surgido de uma herança européia a defrontar-se com uma ecologia não européia e com culturas não européias.Da casa-grande, tão somente casa-grande, pode-se sugerir que constitui, vista retrospectivamente, um clássico arquitetônico à sua maneira um tanto rústica. Maneira mais funcional que estruturalmente estética de construção útil e ecologicamente brasileira. Útil no seu modo de ter aparecido como solução funcional a uma exigência da primeira fase da formação de um país – o Brasil – como civilização de origem principalmente européia, servida por contribuições de culturas primitivas e não européias – a indígena e a afro-negra – em espaço agrestemente tropical.
As primeiras cidades
Apesar da economia do Brasil-Colônia ter se baseado principalmente na exportação de produtos rurais, a colonização do País foi, em grande parte, um empreendimento urbano. O ponto de partida para a ocupação territorial foi sem dúvida, o núcleo urbano. As cidades no Brasil, além de serem parte integrante da estratégia portuguesa de colonização, serviram de bases comerciais e sedes do poder administrativo. As primeiras cidades brasileiras foram fundadas junto ao mar - Rio de Janeiro e Salvador são exemplos de urbanização portuguesa no mundo colonial. No final do século XVIII, as cidades brasileiras evoluíram rapidamente. O Rio de Janeiro era a sede da Colônia desde 1763, já possuía 50 mil habitantes e era por onde se exportava a produção das minas de ouro. Salvador, antiga capital contava com 45 mil habitantes. Outras cidades bem populosas na época eram Recife, com 30 mil habitantes, São Luís com 22 mil e São Paulo, com 15 mil habitantes. Na Região das Minas, surgiram mais cidades graças à mineração, como Mariana, Vila Rica, Sabará e São João del Rei. As cidades criadas com as riquezas trazidas pelo ouro foram sendo abandonadas quando as minas se esgotaram. Não houve na época, outra atividade econômica que desse continuidade ao progresso e à modernização dessa região.
O ciclo do ouro
Após a descoberta das primeiras minas de ouro, o rei de Portugal tratou de organizar sua extração. Interessado nesta nova fonte de lucros, já que o comércio de açúcar passava por uma fase de declínio, ele começou a cobrar o quinto. O quinto nada mais era do que um imposto cobrado pela coroa portuguesa e correspondia a 20% de todo ouro encontrado na colônia. Este imposto era cobrado nas Casas de Fundição.A descoberta de ouro e o início da exploração da minas nas regiões auríferas ( Minas Gerais, Mato Grosso e Goiás ) provocou uma verdadeira "corrida do ouro" para estas regiões. Procurando trabalho na região, desempregados de várias regiões do país partiram em busca do sonho de ficar rico da noite para o dia.Cidades começaram a surgir e o desenvolvimento urbano e cultural aumentou muito nestas regiões. Foi neste contexto que apareceu um dos mais importantes artistas plásticos do Brasil :Aleijadinho.Vários empregos surgiram nestas regiões, diversificando o mercado de trabalho na região aurífera.Para acompanhar o desenvolvimento da região sudeste, a capital do país foi transferida para o Rio de Janeiro.

quarta-feira, outubro 19

Igreja de San Giorgio MaggiorePalladio, Veneza, Itália - (XVI)
A Basílica (Andrea di Pietro)Palladio, Vicenza, Itália - (XVI)

Tópicos Especiais I
8ª aula - Arquitetura Maneirista

Paralelamente ao renascimento clássico, desenvolveu-se em Roma, do ano de 1520 até por volta de 1610, um movimento artístico afastado conscientemente do modelo da antiguidade clássica: o maneirismo (maniera, em italiano, significa maneira). Uma evidente tendência para a estilização exagerada e um capricho nos detalhes começam a ser sua marca, extrapolando assim as rígidas linhas dos cânones clássicos. Portanto, maneirismo é um estilo italiano do século XVI, caracterizado pela plasticidade das figuras exageradas, cujas posturas são, quase sempre, forçadas, utilizando-se das cores de modo arbitrário e tratando os espaço de maneira irreal, criando, com frequência, efeitos dramáticos.
Alguns historiadores consideram o maneirismo uma transição entre o renascimento e o barroco, enquanto outros preferem vê-lo como um estilo propriamente dito. O certo, porém, é que o maneirismo é uma consequência de um renascimento clássico que entra em decadência. Os artistas se vêem obrigados a partir em busca de elementos que lhes permitam renovar e desenvolver todas as habilidades e técnicas adquiridas durante o renascimento
Uma de suas fontes principais de inspiração é o espírito religioso reinante na Europa naquele momento. Não só a Igreja, mas toda a Europa estava dividida após a Reforma de Lutero. Carlos V, depois de derrotar as tropas do sumo pontífice, saqueia e destrói Roma. Reinam a desolação e a incerteza. Os grandes impérios começam a se formar, e o homem já não é a principal e única medida do universo.
Pintores, arquitetos e escultores são impelidos a deixar Roma com destino a outras cidades. Valendo-se dos mesmos elementos do renascimento, mas agora com um espírito totalmente diferente, criam uma arte de labirintos, espirais e proporções estranhas, que são, sem dúvida, a marca inconfundível do estilo maneirista. Mais adiante, essa arte acabaria cultivada em todas as grandes cidades européias.
A arquitetura maneirista dá prioridade à construção de igrejas de plano longitudinal, com espaços mais longos do que largos, com a cúpula principal sobre o transepto, deixando de lado as de plano centralizado, típicas do renascimento clássico. No entanto, pode-se dizer que as verdadeiras mudanças que este novo estilo introduziu refletem-se não somente na construção em si, mas também na distribuição da luz e na decoração.
Naves escuras, iluminadas apenas de ângulos diferentes, coros com escadas em espiral, que na maior parte das vezes não levam a lugar nenhum, produzem uma atmosfera de rara singularidade. Guirlandas de frutas e flores, balaustradas provoadas de figuras caprichosas são a decoração mais característica do maneirismo. Caracóis, conchas e volutas cobrem muros e altares, lembrando uma exuberante selva de pedra que confude a vista.
Na arquitetura profana ocorre exatamente o mesmo fenômeno. Nos ricos palácios e casas de campo, as formas convexas que permitem o constraste entre luz e sombra prevalecem sobre o quadrado disciplinado do renascimento. A decoração de interiores ricamente adornada e os afrescos das abóbadas coroam esse caprichoso e refinado estilo, que, mais do que marcar a transição entre duas épocas, expressa a necessidade de renovação.

segunda-feira, outubro 17

Gótico x Renascimento






Tópicos Especiais I - 7ª aula
Arquitetura Renascentista
Renascimento é o nome que se dá ao período da história européia, caracterizado por um renovado interesse pelo passado grego-romano clássico, que vai do século XV ao século XVI. Fundamentado no conceito de que o homem é a medida de todas as coisas, o renascimento significou um retorno às formas e proporções da antiguidade greco-romana. Este movimento artístico começou a se manifestar na Itália, no século XIV, mais precisamente em Florença, cidade que a esta altura já tinha se tornado um estado independente e um dos centros comerciais mais importantes do mundo, e difundiu-se por toda a Europa, durante os séculos XV e XVI.
Em poucos anos, o renascimento difundiu-se pelas demais cidades italianas (período conhecido como quattrocento), para se estender pouco a pouco, em fins do século XV, ao resto do continente europeu, no chamado cinquecento, ou renascimento clássico. As bases desse movimento eram porporcionadas por uma corrente filosófica reinante, o humanismo, que descartava a escolástica medieval, até então reinante, e propunha o retorno às virtudes da antiguidade.
Platão, Aristóteles, Virgílio, Sêneca e outros autores greco-romanos começam a ser traduzidos e rapidamente difundidos. Desse modo, o espírito da antiga filosofia clássica não leva muito tempo para inundar as cortes da nova aristocracia burguesa. O cavalheiro renascentista deve agora ser versado em todas as disciplinas artísticas e científicas.
Imbuídas desse espírito, as famílias abastadas não hesitaram em atrair para seu mundo artistas de grande renome, aos quais deram seu apoio, tornando-se, afinal, seus mecenas. Músicos, poetas, filósofos, escultores, pintores, ourives e arquitetos saíram do anonimato imposto pelo período medieval e viram crescer seu nome e sua fama, juntamente com a de seus clientes. No norte da Europa, o pensamento humanista já tinha dado seus primeiros passos significativos.
Foi graças ao reformador Lutero e às universidades, por intermédio do estudo das ciências exatas e da filosofia, que se difundiram as idéias de seus pares italianos. Por volta do fim do século XV, chegava da Espanha a notícia do descobrimento de um novo continente, a América, fato que mudaria a fisonomia do mundo para sempre. O homem se distanciava assim, de modo definitivo, do período medieval para decididamente ingressar na modernidade.
O termo renascimento foi empregado pela primeira vez em 1855, pelo historiador francês Jules Michelet, para referir-se ao descobrimento do Mundo e do homem no século XVI. O historiador suíço Jakob Burckhardt ampliou este conceito (1860), definindo essa época como o renascimento da humanidade e da consciência moderna, após um longo período de decadência.
Os arquitetos do renascimento conseguiram, mediante a medição e o estudo de antigos templos e ruínas, assim como pela aplicação da perspectiva, chegar à conclusão de que uma obra arquitetônica completamente diferente da que se vira até então não era nada mais que pura geometria euclidiana. O módulo de construção utilizado era o quadrado, que aplicado ao plano e ao espaço deu às novas edificações proporções totalmente harmônicas.
As ordens gregas de colunas substituíram os intermináveis pilares medievais e se impuseram no levantamento das paredes e na sustentação das abóbadas e cúpulas. São três as ordens mais utilizadas: a dórica, a jônica e a coríntia, originadas do classicismo grego. A aplicação dessas ordens não é arbitrária, elas representam as tão almejadas proporções humanas: a base é o pé, a coluna, o corpo, e o capitel, a cabeça.
As primeiras igrejas do renascimento mantêm a forma da cruz latina, o que resulta num espaço visivelmente mais longo do que largo. Entretanto, para os teóricos da época, a forma ideal é representada pelo plano centralizado, ou a cruz grega, mais frequente nas igrejas do renascimento clássico.
O Renascimento iniciou-se na Itália, particularmente em Florença, e foi precedido por uma fase de transição, que, pelos fins do século XIII, já paulatinamente ia substituíndo a arte gótica. Foi, sobretudo, um fenômeno urbano, produto das cidades que floresceram no centro e no norte da Itália, como Florença, Ferrara, Milão e Veneza, resultado de um período de grande expansão econômica e demográfica dos séculos XII e XIII. Os principais traços do renascimento foram a imitação das formas clássicas da antiguidade greco-romana e a preocupação com a vida profana, o humanismo e o indivíduo.
O fiorentino Filippo Brunelleschi (1377-1446) foi quem apresentou a nova concepção renascentista na arquitetura. Ele assimilara, durante longo tempo, as formas clássicas e góticas e adaptara-as à sua época, edificando as igrejas do Espírito Santo, de São Lourenço e a cúpula da Catedral de Santa del Fiore, em Florença. Contudo, não foi na época de Brunelleschi que a arquitetura renascentista atingiu seu ponto culminante, foi um pouco mais tarde, na primeira metade do século XVI. Também não foi em Florença, onde nascera, mas em Roma, que atingiu a sua plenitude.
Em Roma, durante toda a primeira metade do século XVI - a Alta Renascença -, um arquiteto talentoso como Giuliano de Sangallo (1445-1516) uniu seu gênio ao do pintor Rafael Sanzio (1483-1520) para, juntos, dirigirem os trabalhos da Basílica de São Pedro.
Ainda em Roma, o arquiteto Bramante, cujo verdadeiro nome é Donato D'Agnolo (1444-1514), criou um tipo todo original de abóbada para a Igreja de Santa Maria das Graças, e ainda deu lições ao escultor, pintor e arquiteto Michelangelo Buonarroti (1475-1564). Vignola - como se chamava artisticamente Giocomo Barocchio (1507-1573) - edificou a Igreja de Jesus, que, pelo movimento de suas linhas e pela abundância de adornos, já prenunciava o barroco, estilo que vigorou no século seguinte.
Embora o centro fosse Roma, a arquitetura renascentista não se restringia à antiga cidade. Em Mântua, o arquiteto Leon Battista Alberti (1404-1472), autor de uma tratado - De Re Aedificatoria (A Arte de Edificar), onde define a beleza como harmonia e proporção -, procurava resolver o conflito entre a igreja de plano direcional e a igreja de plano central, acrescentando uma nave a uma estrutura central, na Igreja de Santo André.
Alberti reinvidica em seu De Re Aedificatoria que se mantenha um estilo padronizado nas fachadas dos edifícios e que sua altura seja regular, para se obter uma cidade mais bonita e harmoniosa, num claro ressurgimento do urbanismo clássico.
No norte da Itália, Andrea Palladio (1518-1580) realizava um trabalho tão importante e original que acabou influenciando a arquitetura inglesa dos séculos XVII e XVIII.
Todos eles dedicavam-se, sobretudo, à edificação de construções religiosas, das quais a mais ambiciosa é, sem dúvida, a Catedral de São Pedro, em Roma. Foi iniciada por Bramante em 1506, continuada por Michelangelo, acrescentada por Carlos Maderno (1556-1629) e adornada de colunas externas por Giovanni Lorenzo Bernini (1598-1680).
As duas formas arquitetônicas - gótica e renascentista - conviveram durante mais de duzentos anos, após o que seriam de certa eclipsadas pelo barroco. Se no princípio rivalizavam entre sí, logo mais passaram a completar-se. Os adornos, os elementos decorativos, a forma das colunas góticas desapareceram, em favor da decoração renascentista. contudo, muitas das grandes obras renascentistas não poderiam ter surgido sem o conhecimento da técnica do gótico.
O arco ogival ou em ponta é típico do estilo gótico e permitia sustentar abóbadas elevadas.
O arco renascentista, ao contrário do arco gótico, tinha a forma curvilínea, de pura inspiração romana clássica. A coluna gótica, constituída de feixes de pilares, devia servir de sustentáculo à estrutura da abóbada. A coluna renascentista, simples, com capitéis coríntios, foi empregada na construção de pórticos e arcadas.Nas abóbadas góticas, arcos ogivais encontram-se no alto e se apoiam em colunas: é a abóbada de nervuras. A abóbada renascentista tem a forma de um semi-círculo formando um teto liso ou ainda em quadros.A janela gótica, alta e estreita, tem vitrais coloridos e frontões bastante pontiagudos. A janela renascentista, quadrada e mais ampla que a gótica, tem o vidro transparente e incolor, dando maior claridade.
Em suma, pelo Renascimento adentro, o que preponderou nas construções religiosas e leigas da Itália foi o estilo renascentista, mas a técnica da construção gótica foi de grande valia para os feitos dos grandes arquitetos italianos.

segunda-feira, outubro 3




Tópicos Especiais I
6ªaula-Arquitetura Gótica
O século X encontra a Europa em crise. O poder real, enfraquecido, foi substituído pelo feudalismo. Invasões ameaçam a França. Desprotegidos, o povo se organiza em torno dos castelos feudais, únicas - e precárias - fortalezas. A tensão popular contribui para que se espalhe a crença propagada pela Igreja de que se aproxima o juízo final: o mundo vai acabar no ano 1000. A arte românica, expressão estética do feudalismo, reflete o medo do povo. Esculturas anunciam o apocalipse, pinturas murais apavorantes retratam o pânico que invade não só a França mas toda a Europa Ocidental. Chega o ano 1000 e o mundo não acaba. Alguma coisa precisa acontecer.
Em 1905, surgem as primeira Cruzadas. O feudalismo ainda permanece, mas tudo indica que não poderá resistir por muito tempo. Novos pensadores fazem-se ouvir, propagando suas idéias. Fundam-se as primeiras Universidades. Subitamente, a literatura cresce em importância. Muitos europeus, até então confinados à vida nas aldeias, passam a ter uma visão mais ampla do mundo. Profunda mudança social está a caminho.
Pressentindo a queda do feudalismo, a arte antecipa-se aos acontecimentos e cria novo estilo, que irá conviver durante certo tempo com o românico, mas atendendo às novas necessidades. Verdadeiro trabalho de futuristas da época, o estilo gótico surge pela primeira vez em 1127, na arquitetura da basílica de Saint-Denis, construída na região de Ile-de-France, hoje Paris.
Fins do século XII. Graças ao apoio da burguesia e da classe trabalhadora, os reis conseguem retomar sua autoridade. Enfraquecido, o poder feudal vai aos poucos desaparecendo. A população passa a ter maior influência na vida pública nacional, da qual tinha sido até então mera espectadora. Eufóricos diante da própria importância, os habitantes de cada região sentem a necessidade de demonstrar sua emancipação. A catedral será o símbolo de sua vitória. Aí se realizarão não apenas os atos religiosos, mas as atividades comunitárias de todo o grupo: será a casa do povo. Não mais cheia de esculturas e desenhos tenebrosos, mas alta, imponente, iluminada. Que suas torres pontiagudas tentem atingir as nuvens. Livre do medo do fim do mundo, o povo é animado por novo sopro de fé. As paredes de seus templos devem deixar entrar a luz do sol em múltiplas cores que lembrem a presença divina
Da necessidade de construir catedrais que correspondessem à euforia e ao misticismo do povo, surgiu a arquitetura gótica. As primeiras foram construídas na França, ao redor de onde se encontra hoje a cidade de Paris; foi essa uma das primeiras regiões a eliminar o feudalismo.
Nobreza, clero e massa popular competiam em generosidade mística. O objetivo era um só: colaborar para a construção das dispendiosas catedrais. Com a autoridade monárquica cada vez mais assegurada, as antigas zonas feudais foram-se transformando e surgiram as primeiras cidades: Noyon, Laon, Sens, Amiens, Reims, Beauvais, onde se encontram as catedrais góticas mais belas do mundo.
O estilo gótico é identificado como o período das grandes catedrais. De fato, com suas construções começaram a ser definidos os princípios fundamentais desse estilo. O gótico teve início na França, novo centro de poder depois da queda do Sacro Império, emmeados do século XII, e terminou aproximadamente no século XIV, embora em alguns países do resto da Europa, como a Alemanha, se entendesse até bem depois de iniciado o século XV.
O gótico era uma arte imbuída da volta do refinamento e da civilização na Europa e o fim do bárbaro obscurantismo medieval. A palavra gótico, que faz referência aos godos ou povos bárbaros do norte, foi escolhida pelos italianos do renascimento para descrever essas descomunais construções que, na sua opinião, escapavam aos critérios bem proporcionados da arquitetura.
Foi nas universidades, sob o severo postulado da escolástica - Deus Como Unidade Suprema e Matemática -, que se estabeleceram as bases dessa arte eminentemente teológica. A verticalidade das formas, a pureza das linhas e o recato da ornamentação na arquitetura foram transportados também para a pintura e a escultura. O gótico implicava uma renovação das formas e técnicas de toda a arte com o objetivo de expressar a harmonia divina.
A arquitetura gótica se apoiava nos princípios de um forte simbolismo teológico, fruto do mais puro pensamento escolástico: as paredes eram a base espiritual da Igreja, os pilares representavam os santos, e os arcos e os nervos eram o caminho para Deus. Além disso, nos vitrais pintados e decorados se ensinava ao povo, por meio da mágica luminosidade de suas cores, as histórias e relatos contidos nas Sagradas Escrituras.
A construção gótica, de modo geral, se diferenciou pela elevação e desmaterialização das paredes, assim como pela especial distribuição da luz no espaço. Tudo isso foi possível graças a duas das inovações arquitetônicas mais importantes desse período: o arco em ponta, responsável pela elevação vertical do edifício, e a abóbada cruzada, que veio permitir a cobertura de espaços quadrados, curvos ou irregulares.
Os arcos de meia circunferência usados nas abóbadas das igrejas românicas faziam com que todo o peso da construção fosse descarregado sobre as paredes. Isso obrigava a um apoio lateral resistente: pilares maciços, paredes mais espessas, poucas aberturas para fora. O espaço para as janelas era bem reduzido e o interior da igreja escurecia. O espírito do povo pedia luz e grandiosidade. Então como conseguí-las?
O arco em meia circunferência foi substituído por arcos ogivais ou arcos cruzados. Isso dividiu o peso da abóbada central, fazendo com que ele se descarregasse sobre
vários pontos, simultaneamente, podendo ser usado material mais leve, tanto para a abóbada como para as bases de sustentação. Em lugar dos sólidos pilares, esbeltas colunetas passaram a receber o peso da abóbada.
O restante do peso foi distribuído por pilares externos. Estes, por sua vez, remetem o peso aos contrafortes - torres pontiagudas e muito trabalhadas, que substituem as maciças pilastras românicas, com a mesma função. As torres dão mais altura e majestade à catedral. As paredes, perdendo sua importância como base de sustentação, passam a ser feitas com um dos materiais mais frágeis de que se dispunha: o vidro. Surge a desejada luminosidade. Grandes e feéricos vitrais coloridos ilustram em desenhos cenas da vida cristã. A magia dos vitrais góticos, que filtram a luz do sol, enche a igreja de uma claridade mística que lembra a presença divina.
O sistema de suportes constituídos de pilares cantonados e fasciculados, pequenas colunas cilíndricas e nervos, junto com os arcobotantes, tornou a parede mais leve, até seu quase total desaparecimento. As janelas ogivais e as rosetas acentuaram ainda mais a transparência da construção. A intenção era criar no visitante a impressão de um espaço que se alçava infinitamente até o ceu.
Moore definiu a arquitetura gótica como um "sistema de abóbadas, cuja estabilidade era assegurada por um equilíbrio perfeito de forças". Esta interessante definição é infelizmente incompleta, pois nem sequer cita os arcos de ogiva. Mas a verdade é que, se este elemento é fundamental no estilo gótico, aparece também noutros estilos, assim como o arco de volta inteira surge igualmente nos edifícios góticos. Durante o período românico, o arco de ogiva aparece principalmente nos lugares onde existe forte influência sarracena. Os arquitetos da catedral românica de Monreale, utilizaram-no freqüentemente. O românico espanhol, e mesmo o provençal, empregaram o arco de ogiva. Por outro lado, num edifício tão gótico quanto a catedral de Chartres, as janelas da clarabóia da nave são de volta inteira, salvo nas suas subdivisões, assim como os arcos diagonais da Notre-Dame de Paris. O arco de ogiva não é pois, tão característico do gótico como geralmente se pensa.
A definição de Moore não menciona as paredes, mas somente os três elementos principais da construção. No gótico francês, uma vez chegado o seu máximo esplendor, a parede deixou de ser com efeito, elemento da estrutura. O edifício é uma gaiola de vidro e de pedra com as janelas que vão de um pilar a outro. Se a parede existe ainda, por exemplo, sob as janelas das naves laterais, é somente como defesa contra as intempéries. Tudo se passa como se as paredes românicas tivessem sido cortadas em secções e cada secção houvesse girado sobre si própria num ângulo reto para o exterior, de modo a formar contra-fortes.
No seu início o gótico francês baseava-se nos elementos estruturais definidos por Moore, porém essa definição só se aplicaria à elaboração do gótico francês não abrangendo a arquitetura gótica de outros países ou as fases ulteriores deste estilo na França.
A ABÓBADA:
Dentre os elementos da arquitetura gótica este seria o mais importante. Os arquitetos góticos introduziram duas inovações fundamentais na construção de abóbadas. Em primeiro lugar para os arcos dobrados e os arcos dianteiros terem a mesma dimensão que os arcos cruzeiros, adotaram o arco de ogiva. O cruzamento das ogivas permite obter abóbadas com arcos da mesma altura. Numa abóbada que cubra um espaço retangular, a ogiva dos arcos formeiros tem de ser muito pronunciada. Por outro lado, os construtores góticos tentaram concentrar a pressão das abóbadas ao longo de uma linha única, em frente de cada pilar, no exterior do edifício. Os arcos góticos alteiam os arcos formeiros: em vez de os iniciar ao mesmo nível que os arcos diagonais, inserem um colunelo que permite colocar o nascimento dos arcos formeiros em nível superior ao dos outros. as janelas da clarabóia podem, assim, tornar-se mais importantes e deixa de ser necessário acentuar a ogiva do arco formeiro para obter uma abóbada de flechas iguais. Finalmente, a zona coberta pela abóbada na parede exterior reduz-se a uma linha em vez de se limitar a um triângulo. A nave da Catedral de Amiens oferece um exemplo claro deste sistema.
SUPORTE:
Uma vez que a arquitetura gótica se desenvolveu à partir da românica, podemos encontrar um colunelo para cada nervura da abóbada, o que efetivamente acontece sobre os capitéis da arcada da nave. Como as proporções do edifício se tornaram mais leves, os fustes são mais esguios do que na arte românica e sublinham o movimento ascendente do conjunto. Quanto ao pilar propriamente dito, o caso é diferente. O pilar composto românico, por mais lógico que seja, é relativamente espesso; define o espaço da nave central e separa-a das laterais. As diferentes partes da igreja são desde então concebidas como unidade separadas. O gótico parece primeiramente retroceder. O pilar composto é substituído por uma coluna lisa e redonda cuja massa, menos volumosa, facilita a passagem entre a nave central e as laterais, criando um espaço único. Para que se torne possível utilizar colunas lias, os suportes aparentes dos arcos da abóbada devem terminar ao nível dos capitéis, o que embora arquitetonicamente possível é pouco estético. Com efeito, as verticais rígidas dos colunelos parecem interromper-se bruscamente demais.
Entretanto o desejo de se construir catedrais cada vez mais altas leva a um grande aprimoramento técnico e os fortíssimos pilares de Chartres por exemplo nos elegantes fustes de Amiens, testemunho de uma experiência mais avançada em termos de arquitetura.
A habilidade técnica em constante progresso dos construtores dos séculos XIV e XV permitir-lhes-á recorrer de novo ao pilar composto, cujos elementos serão tão finos e tão delicados que ele parece desafiar as leis da gravidade.
CONTRAFORTE:
É o terceiro e último elemento estrutural do gótico As paredes góticas ao contrário das românicas são finas, ou inexistentes sendo o contraforte tipicamente gótico composto de duas partes:
A primeira o contraforte propriamente dito inspira-se no contraforte românico e está colocado em ângulo reto em relação a igreja, contra a parede lateral, e, no mais alto grau de perfeição, eleva-se bastante alto. O peso deste elemento neutraliza a pressão das abóbadas.
O segundo elemento, ou arcobotante, é especificamente gótico. O arcobotante tem uma caixilharia diagonal de pedra; está escorado de um lado pelo contraforte, colocado a certa distância da parede, e por outro lado pela clarabóia da nave. O arcobotante dirige a pressão da abóbada para o exterior por cima da cobertura da nave central. Como é cimbrado por baixo, exerce um pouco de pressão sobre o vão; sozinho não poderia resistir à pressão lateral das abóbadas, mas associado aos contrafortes, tem uma força enorme. Foi graças a esse elemento que o gótico ousou construir naves tão altas e tão claras. A catedral gótica, eleva-se para o céu como uma oração e tal como a filosofia medieval, exprime o intangível e transcende o homem na sua procura do além.

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